quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Arcadismo
O Arcadismo é uma escola literária surgida na Europa no século XVIII, também denominada de setecentismo ou neoclassicismo. O nome "arcadismo" é uma referência à Arcádia, região campestre do Peloponeso, na Grécia antiga, tida como ideal de inspiração poética.
A principal característica desta escola é a exaltação da natureza e de tudo o que lhe diz respeito. Por essa razão muitos poetas do arcadismo adotaram pseudônimos de pastores de Tetões gregos ou latinos. Caracteriza-se ainda pelo recurso a esquemas rítmicos mais graciosos.
Numa perspectiva mais ampla, expressa a crítica da burguesia aos abusos da nobreza e do clero praticados no Antigo Regime.
Adicionalmente os burgueses cultuam o mito do homem natural em oposição ao homem corrompido pela sociedade, conceito originalmente expresso por Jean-Jacques Rousseau, na figura do “bom selvagem”.

Características do arcadismo

O arcadismo constitui-se numa forma de literatura mais simples, opondo-se aos exageros e rebuscamentos do Barroco, expresso pela expressão latina "inutilia truncat" ("cortar o inútil"). Os temas também são simples e comuns aos seres humanos, como o amor, a morte, ocasamento, a solidão. As situações mais frequentes apresentam um pastor abandonado pela amada, triste e queixoso. É a "aurea mediocritas" ("mediocridade áurea"), que simboliza a valorização das coisas cotidianas, focalizadas pela razão.
Os autores retornam aos modelos clássicos da Antiguidade greco-latina e aos renascentistas, razão pela qual o movimento é também conhecido como neoclássico. Os seus autores acreditavam que a Arte era uma cópia da natureza, refletida através da tradição clássica. Por isso a presença da mitologia pagã, além do recurso a frases latinas.
Inspirados na frase do escritor latino Horácio "fugere urbem" ("fugir da cidade"), e imbuídos da teoria do "bom selvagem" de Jean-Jacques Rousseau, os autores árcades voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólica, pastoril, do "locus amoenus", do refúgio ameno em oposição aos centros urbanos dominados pelo Antigo Regime, pelo absolutismo monárquico.
Cumpre salientar que essa busca configurava apenas um estado de espírito, uma posição política e ideológica, uma vez que esses autores viviam nos centros urbanos e, burgueses que eram ali mantinham os seus interesses econômicos. Por isso justifica falar-se em "fingimento poético" no arcadismo fato que transparece no uso dos pseudônimos pastoris.
Além disso, diante da efemeridade da vida, defendem o "carpe diem", pelo qual o pastor, ciente da brevidade do tempo, convida a sua pastora a gozar o momento presente.
Quanto à forma, usavam muitas vezes sonetos com versos decassílabos, rima optativa e a tradição da poesia épica.
Outras características importantes são:
·         Valorização da vida no campo (bucolismo)
·         Crítica a vida nos centros urbanos
·         Objetividade
·         Idealização da mulher amada
·         Inutilia truncat (cortar o inútil)
·         Iocus amoenus (lugar ameno)
·         Convencionalismo amoroso
·         Aurea mediocritas (mediocridade áurea ou ouro medíocre)
·         Linguagem simples
·         Uso de pseudônimos com frequência
·         Pastoralismo

O Arcadismo em Portugal

O clima de renovação atingiu fortemente também Portugal que, no começo do século XVIII, passava pelo período final de sua reestruturação econômica, política e cultural.
Durante o reinado de João V de Portugal (1707-1750) percebe-se, no país, certa abertura intelectual e política, como por exemplo, a licença concedida à Congregação do Oratório para ministrar ensino, até então privilégio da Companhia de Jesus.
Em 1746, Luís António Verney, inspirado nas ideias dos racionalistas franceses, publica as cartas que compõem o seu "Verdadeiro Método de Estudar", obra em que critica o ensino tradicional e propõe reformas que visam a colocar a cultura portuguesa o par com a do resto da Europa.
Caberá, entretanto, ao marquês de Pombal, ministro de José I de Portugal (1750-1777), concretizar essas aspirações. Agindo com plena autonomia de poderes, o despotismo esclarecido de Pombal operou verdadeira transformação nos rumos da cultura portuguesa:
·         Expulsou os jesuítas em 1759, o que enfraqueceu bastante a influência religiosa no campo cultural;
·         Incentivou os estudos científicos;
·         Reformou o ensino
·         Apesar de manter um sistema de censura, afrouxou muito a repressão que era exercida pelo Santo Ofício (a Inquisição).
Em Portugal, o arcadismo iniciou-se oficialmente em 1756, com a fundação da “Arcádia Lusitana”, entidade em que se reuniam intelectuais e artistas para discutirem Arte.
A “Arcádia Lusitana” tinha por lema a frase latina "Inutilia truncat" ("acabe-se com as inutilidades"), escrito por António Dinis da Cruz e Silva no capítulo II do Estatuto da Arcádia que vai caracterizar todo o movimento no país. Visavam com isto erradicar os exageros, o rebuscamento, e a extravagância preconizados pelo Barroco, retornando a uma literatura simples. No capítulo III é definida a divisa do lírio, alusivo a Virgem Nossa Senhora, tomada como protetora da instituição com o título de Conceição. Nesse primeiro momento, não havia o preceito contra a religião, o que mudaria na última década do século XVIII com a Nova Arcádia (1790-1794), com a participação de Bocage e Nicolau Tolentino, dentre outros. 

o Brasil, vive-se o momento histórico da decadência do ciclo da mineração e da transferência do centro político do Nordeste (Salvador, na Bahia) para o Rio de Janeiro.

Aqui o marco inaugural do arcadismo deu-se em 1768 com a fundação da “Arcádia Ultramarina”, em Vila Rica, e a publicação de “Obras Poéticas”, de Cláudio Manuel da Costa. Embora não chegue a constituir um grupo nos moldes das arcádias europeias, constituem a primeira geração literária brasileira.
Nesta colônia portuguesa, as ideias iluministas vieram ao encontro dos sentimentos e anseios nativistas, com maior repercussão em Vila Rica, centro econômico mais importante à época, em função da mineração. A figura do “bom selvagem” de Rousseau dará origem, na colônia, ao chamado Nativismo. O acontecimento político mais importante será a Inconfidência Mineira, tentativa malsucedida de libertar a província das Minas Gerais do domínio colonial português. A politização do movimento apresentou-se através dos poetas árcades brasileiros, participantes da Conjuração.
A chamada "Escola Setecentista" desenvolve-se até 1808 com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que com suas medidas político-administrativas, permitiu a introdução do pensamento pré-romântico no Brasil.
Entre as características do movimento no Brasil, destacam-se a introdução de paisagens tropicais, como em Caramuru, valorização da história colonial, o início do nacionalismo e da luta pela independência e a colocação da colônia como centro das atenções.

O Arcadismo no Brasil

No Brasil, vive-se o momento histórico da decadência do ciclo da mineração e da transferência do centro político do Nordeste (Salvador, na Bahia) para o Rio de Janeiro.
Aqui o marco inaugural do arcadismo deu-se em 1768 com a fundação da “Arcádia Ultramarina”, em Vila Rica, e a publicação de “Obras Poéticas”, de Cláudio Manuel da Costa. Embora não chegue a constituir um grupo nos moldes das arcádias europeias, constituem a primeira geração literária brasileira.
Nesta colônia portuguesa, as ideias iluministas vieram ao encontro dos sentimentos e anseios nativistas, com maior repercussão em Vila Rica, centro econômico mais importante à época, em função da mineração. A figura do “bom selvagem” de Rousseau dará origem, na colônia, ao chamado Nativismo. O acontecimento político mais importante será a Inconfidência Mineira, tentativa malsucedida de libertar a província das Minas Gerais do domínio colonial português. A politização do movimento apresentou-se através dos poetas árcades brasileiros, participantes da Conjuração.
A chamada "Escola Setecentista" desenvolve-se até 1808 com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que com suas medidas político-administrativas, permitiu a introdução do pensamento pré-romântico no Brasil.
Entre as características do movimento no Brasil, destacam-se a introdução de paisagens tropicais, como em Caramuru, valorização da história colonial, o início do nacionalismo e da luta pela independência e a colocação da colônia como centro das atenções.


O Arcadismo nas Artes


Principais características

No Brasil
- Contraste entre a razão e emoção
- Índio literário
- Valoriza as pequenas coisas e matém o pensamento longo do materialismo
- Utilização de personagens mitológicos, a idealização da vida campestre, idealização da natureza,

No resto do mundo

- Influência da filosofia francesa;
- Mitologia pagã como elemento estético;
- Tensão entre o burguês culto, da cidade, contra a aristocracia;
- Pastoralismo: poetas simples e humildes;
- Bucolismo: busca pelos valores da natureza;
- Nativismo: referências à terra e ao mundo natural;
- Exaltação da pureza, da ingenuidade e da beleza.


Artistas



Manuel Maria Barbosa Du Bocage
Bocage e as Ninfas
                                 


                          





                       
Victor Meirelles de Lima
1º Missa no Brasil













O Neoclassicismo


O neoclassicismo foi um movimento cultural nascido na Europa em meados do século XVIII, que teve larga influência na arte e cultura de todo o ocidente até meados do século XIX. Teve como base os ideais do iluminismo e um renovado interesse pela cultura da Antiguidade clássica, advogando os princípios da moderação, equilíbrio e idealismo como uma reação contra os excessos decorativas e dramáticos do Barroco.0

Os primeiros sinais do neoclassicismo se fazem notar em vários pontos da Europa nas primeiras décadas do século XVIII, embora desde já se deva advertir que a cronologia dos estilos é sempre muito polêmica, e seus limites, muito imprecisos. O neoclassicismo, como o nome indica, foi um movimento cultural revivalista, que voltou-se para a Antiguidade clássica - a Grécia e a Roma antigas - como a principal referência estética e modelo de vida. Considerava-se há muito tempo que a tradição clássica, onde se incluía a cultura renascentista, ela também um revivalismo classicista, era imbuída de grande autoridade moral e estética, e por isso era um modelo ideal. De fato, a "volta aos clássicos" é um fenômeno recorrente na história da cultura do ocidente.
Uma série de fatores se conjugaram para que em meados do século XVIII houvesse nascido uma nova corrente classicista, nítida e influente, centralizada em Roma, convivendo com e combatendo as últimas manifestações do Barroco e do Rococó. Dois fatores foram principais: em primeiro lugar, o esgotamento da fórmula barroca e a condenação do que se viu nela como excessos, peso, decorativo fútil, falta de decoro e irregularidade, acompanhado por um crescente interesse pela Antiguidade clássica de modo geral, com seus valores de racionalismo, modéstia, equilíbrio, harmonia, simplicidade formal, idealismo e desapego do luxo. Em segundo, o neoclassicismo está intimamente ligado ao declínio da influência da religião e à ascensão dos ideais do iluminismo, que tinham base no racionalismo, combatiam as superstições e dogmas religiosos, e enfatizavam o aperfeiçoamento pessoal e o progresso social dentro de uma forte moldura ética. Os valores clássicos permaneceram uma forte referência nas academias de arte e de ciências mesmo durante o Barroco, o estilo anticlássico por excelência.
Também foi inestimável a contribuição de acadêmicos e antiquários como Robert Wood, John Bouverie, James Stuart, Robert Adam, Giovanni Battista Borra e James Dawkins, que publicaram a partir do século XVIII vários relatos detalhados e ilustrados de expedições arqueológicas, sendo especialmente influentes o tratado de Bernard de Montfaucon, L'Antiquite expliquee et representee en figures (1719-24), fartamente ilustrado e com textos paralelos em línguas modernas, não apenas no latim como era o costume acadêmico, e o do Conde de Caylus, Recueil d'antiquites (1752-67), o primeiro a tentar agrupar as obras de arte da Antiguidade clássica segundo critérios de estilo e não de gênero, abordando também as antiguidades celtas, egípcias e etruscas. Os escritos de Johann Joachim Winckelmann - um erudito alemão de grande influência entre os intelectuais italianos e alemães, incluindo Goethe, e muitas vezes considerado o principal mentor teórico do movimento - enalteceram ainda mais a arte grega, e vendo nela uma "nobre simplicidade e tranquila grandeza", apelou para que todos os artistas a imitassem, restaurando uma arte idealista que deveria ser despida de toda transitoriedade, aproximando-se do caráter do arquétipo. Seu apelo gerou sonora resposta. A história, literatura e mitologia antigas voltavam a ser a fonte principal de inspiração para os artistas, ao mesmo tempo em que eram reavaliadas outras culturas e estilos antigos como o gótico e as tradições folclóricas do norte europeu, produzindo uma heterogeneidade de tendências que tornam o estudo deste período por vezes bastante árduo.
Acrescente-se a isso a descoberta de Herculano e Pompeia, duas antigas cidades romanas soterradas por uma erupção do Vesúvio, uma grande surpresa para os conhecedores e o público, tornando-se logo uma parada obrigatória no Grand Tour europeu e local de pesquisa para artistas e antiquários. Embora as escavações que começaram a ser realizadas nas ruínas em 1738 e 1748 não tenham encontrado grandes obras-primas, trouxeram para a luz uma quantidade de relíquias e artefatos que revelavam aspectos do cotidiano romano até então desconhecidos. Seguiram-se outras pesquisas sistemáticas da arte e cultura antiga, formaram-se importantes coleções públicas e privadas de arte e artefatos antigos e o "estilo grego" se tornava cada vez mais um favorito para os decoradores, estilistas de moda e arquitetos. Esses fatores contribuíram de forma importante para a educação de um maior público e para um alargamento da sua visão sobre o passado, estimulando uma nova paixão por tudo o que fosse antigo.
Apesar de a arte clássica ser apreciada desde muito antes, segundo Cybele Gontar era-o de forma circunstancial e empírica, mas agora o apreço se construía sobre bases mais científicas, sistemáticas e racionais. Com essas descobertas arqueológicas e estudos teóricos tornou-se possível formar pela primeira vez uma cronologia da cultura e da arte dos gregos e romanos, distinguindo o que era próprio de uns e de outros, e fazendo nascer um interesse pela tradição puramente grega que havia sido ofuscada pela herança romana, ainda mais porque na época a Grécia estava sob domínio turco e por isso, na prática, era pouco acessível para os estudiosos e turistas do Ocidente cristão.
O movimento teve também conotações políticas, já que a origem da inspiração neoclássica era a cultura grega e sua democracia, e a romana com sua república, com os valores associados de honra, dever, heroísmo, civismo e patriotismo. Como consequência, o estilo neoclássico foi adotado pelo governo revolucionário francês como arma ideológica contra o "luxo imoral" e a "afetação decadente" das elites, tipificadas na galante e hedonista arte Rococó, pondo de lado a "nobre simplicidade e tranqüila grandeza" de Winckelmann e assumindo ares mais agressivos, dinâmicos, dramáticos e nitidamente propagandísticos, convocando a sociedade à mudança. Teve o pintor Jacques-Louis David como seu campeão e assumiu os nomes sucessivos de estilo Diretório, estilo Convenção e mais tarde, sob Napoleão, estilo Império, influenciando outros países. Nos Estados Unidos, no tumultuado processo de conquista de sua própria independência, e inspirados no modelo da Roma republicana, o neoclassicismo se tornou um padrão patrocinado pelo governo, sendo conhecido como Estilo Federal. Entretanto, desde logo o neoclassicismo se tornou também um estilo cortesão, e em virtude de suas associações com o glorioso passado clássico, foi usado pelos monarcas e príncipes como veículo de propaganda para suas personalidades e feitos.
O neoclassicismo conheceu seu ponto mais alto entre meados do século XVIII e as décadas iniciais do século XIX, quando Winckelmann fazia grande propaganda da cultura antiga e nas artes brilhavam Goethe, David, Haydn, Mozart e Canova, além de muitos outros. É uma das características deste período a coexistência do neoclassicismo com um outro movimento cultural também de larga influência: o romantismo. Ambos foram em muitos pontos estilos antitéticos, pois o romantismo tendia a enfatizar o drama, o movimento, a visão individual, o irracional, o misticismo e a emoção, mas por outro lado, não era inteiramente avesso à referência clássica nem ao idealismo, tendo nascido também sob influência do iluminismo. Muitas vezes será difícil distingui-los. Ao longo do século XIX ambas as escolas viriam a dialogar e se fundir cada vez mais, gerando o  academismo eclético, prosaico e sentimental do fim do século. No início do século XX o neoclassicismo - bem como o romantismo - havia sido suplantado pela estética modernista, embora continuasse a gerar frutos em algumas regiões. Na década de 1980, cultivada pelos pós-modernos, uma forma atualizada de classicismo apareceu em cena com algum ímpeto, manifestando-se em várias formas de arte.

Produção Literária do Arcadismo

O Arcadismo, de modo geral, foi influenciado pelo Século das Luzes, chamado de Iluminismo. Esse movimento influenciou os pensamentos dos intelectuais e ocasionou a pesquisa e análise do mundo pela perspectiva da razão e da ciência. Assim, tudo era explicado ou por meio científico ou por constatação de algo palpável.

Esse período de mudanças filosóficas compreende a segunda metade do século XVIII, no qual a Europa estava dominada economicamente pela burguesia.

Enquanto isso, no Brasil, o século do ouro desponta e cresce extraordinariamente, com a mudança do polo econômico da região Nordeste para o Rio de Janeiro e, principalmente, para Minas Gerais. É este estado que irá servir de cenário para os diversos acontecimentos marcantes da história, além da mineração, a Inconfidência, o caso de Tiradentes, o artista Aleijadinho.
O estilo literário árcade no Brasil tem início com a publicação das Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa, em 1768 e se estende até 1836 com a obra Suspiros poéticos e saudades de Gonçalves Magalhães, a qual inaugura o Romantismo.
Os poetas árcades encontram inspiração nas terras mineiras, principalmente Vila Rica-Ouro Preto, cenário de suas poesias; e também refúgio, não nos filósofos iluministas como Voltaire e Montesquieu, voltados para a política e moral, mas em Horácio que se prendia em pensamentos como “fugere urbem” (fugir da cidade) e “carpe diem” (gozar o dia). Daí o Arcadismo ser conhecido pela exaltação da natureza e pelo bucolismo.
A escola literária árcade é caracterizada por uma produção voltada ao lirismo amoroso de Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga; à épica, com a exaltação do índio em Caramuru e O Uraguai de Santa Rita Durão e Basílio da Gama, respectivamente.

Arcádia Ultramarina
Trata-se de uma sociedade literária fundada na cidade de Vila Rica (MG), influenciada pela Arcádia italiana (fundad em 1690) e cujos membros adotavam pseudônimos, isto é, nomes artísticos, de pastores cantados na poesia grega ou latina. Por isso que alguns dos principais nomes do Arcadismo brasileiro publicavam suas obras com nomes inspirados na mitologia grega e romana.

Características:

O princípio do arcadismo era a simplicidade perdida. Os textos eram leves, sem muita presença de figuras de linguagem. 

A simplicidade da forma correspondia um novo modo de ver o mundo com equilíbrio e sem muita sofisticação. Discurso em ordem direta, como já havia dito havia uma moderação no emprego de figuras de linguagem. A Presença de écoglas pode-se destacar. 

Clareza e racionalidade eram mais alguns princípios do classicismo. Ao mesmo tempo voltavam a servir de referência muitos elementos e personagens da mitologia grega. 
Os poetas inspiravam-se na antiguidade e lemas que sintetizavam seus ideais. Trata-se    
de expressões em Latim retiradas de autores antigos.

Vejamos: 

* Simplicidade, Clareza e Equilíbrio – emprego mais contido de figuras de linguagem, períodos mais curtos e menos invertidos. Inutilia Truncat (cortar o inútil, ou seja eram contra os exageros do Barroco)
* Volta aos modelos Clássicos – greco-romanos (Horácio, Virgílio) e dos renascentistas (Petrarca, Camões), com obediência a regras e modelos.
* Retomada dos Ideais Clássicos – o Belo, o Bem, a Verdade. Praticavam a Mímese aristotélica (arte é igual à imitação da natureza).
* Bucolismo ou Pastoralismo – ideal de vida  simples junto à natureza que serve de cenário para as obras. Trata-se do Fugere Urbem (fuga da cidade), Locus Amoenus (natureza aprazível).
* Carpe Diem (aproveitar o Dia) é um dos temas bem recorrentes nos poemas árcades. Além disso, há o estilo rococó (culto sensual da beleza, a afetação e frivolidade).
* Os escritores árcades criavam pseudonimos com nomes de pastores e possuiam alguma Musa inspiradora, baseadas na Mitologia grega.

Aurea mediocritas- propões uma vida simples, comum, sem heroísmos e nada extraordinário. O termo 'mediocritas' deve a compreensão de mediocridade, retorno á simplicidade. Apreciar e viver o momento presente, dando o sentido de carpe diem. 


Inutilia truncat- reação dos árcades contra os excessos do barroco, excluindo o que for considerado inútil, fútil ou desnecessário. Assim os textos tornam-se mais despojados. 

Tanto furgere urbem como locus amoenus refletem o desejo que os poetas experimentam de viver com simplicidade integrados a natureza.

O cenário árcade era bucólico, uma vida despojada em uma nova concepção da natureza, um cenário simples sem muitas demanda de exageros e luxos. 

Os poetas encontravam a natureza como refúgio, um lugar acolhedor. Inspirados pelo ambiente sentimentos como melancolia, amor e atração eram temas no período final do arcadismo. Essas características deram-se devido aos acontecimentos da época, das grandes mudanças que aconteciam no século XIX, com a eclosão do romantismo. 
Graças à importância á natureza e ao sentimentalismo a produção poética em parte pode ser considerada pré-romântica.
·         Para concluir um soneto de Cláudio Manuel da Costa :

Onde estou? Este sítio desconheço: 


Quem fez tão diferente aquele prado? 

Tudo outra natureza tem tomado, 
E em contemplá-lo tímido esmoreço.
Uma ponte aqui houve; eu não me esqueço 

De estar a ela um dia reclinado! 

Ali em vale um monte está mudado 
Quanto pode aos anos o progresso!
Árvores que vi tão florescentes, 

Que faziam perpétua a primavera: 

Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era 

Mas venho a estranhar, se estão presentes 

Meus males, com que tudo degenera!
Cláudio Manuel da Costa

Aproveite agora do seu conhecimento pelo tema e interprete perfeitamente a mensagem passada pelo soneto.


Epístola
(Sílva Alvarenga)

Gênio fecundo e raro, que com polidos versos
A natureza pintas em quadros mil diversos:
Que sabes agradar, e ensinas por seu turno
A língua que convém ao trágico coturno:
Téu Pégaso não voa furioso, e desbocado
A lançar-se das nuvens no mar precipitado,Nem pisa humilde o pó; mas por um nobre meio
Sente a doirada espora, conhece a mão e o freio:
Tu sabes evitar se um tronco ou jaspe animas,
Do sombrio espanhol os góticos enigmas,
Que inda entrenós abortam alentos dissolutos,
Verdes indignações, escândalos corruptos
Tu revolves e excitas, conforme as ocasiões
Do humano coração a origem das paixões.